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O Jornalista

A verdadeira profissão de Manuel António Pina foi o jornalismo.
E na crónica, mais do que em qualquer outro género, ficou indelevelmente marcada a sua forma de ser jornalista.

Nas suas crónicas, MAP desemaranhava a realidade para melhor nos mostrar a essência do real. E com a sua certeza das dúvidas, ajudava-nos a pensar o quotidiano da democracia. Neste sentido, é ainda uma chama de lucidez na opinião pública. Um archote, por vezes feito com sarcasmo e ironia.
A iluminação pública das palavras.

Entrou no Jornal de Notícias em 1971 e nele escreveu a sua última crónica, a 3 de Agosto de 2012. Na penúltima, a 1 de agosto, deita-se no divã e, mesmo sabendo que tudo é política, confessa: “estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de todos eles, da ‘troika’, do défice, da crise, de editoriais, de analistas!”. Por isso, decide “falar de algo realmente importante”. O quê? “Nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal” e, por isso mesmo, “os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora…”. No final, afirma a sua certeza: “A política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida”.

António Mota foi a denominação do repórter e crítico de cinema durante quase dois anos no JN. A prestação do serviço militar justificava-o.

MAP esteve presente nas lutas do pós-25 abril pelos direitos dos jornalistas e da liberdade de expressão, em conselhos de redação e no Conselho da Imprensa. Participou em debates e conferências como num Encontro com Jornalistas, juntamente com Nuno Teixeira Neves, no CFJ-Centro de Formação de Jornalistas, em 1985.

Fez de tudo na redação do JN – notícias, reportagens, entrevistas - até chegar a chefe de redação, mas foi como cronista que ganhou a evidência conferida por dois prémios (em 1993 e 2004). Neste setor, foi um pulmão da liberdade que nos ajudava a respirar melhor a democracia.