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Textos de amor

De 2001 a 2009, Manuel António Pina integrou o Júri do concurso de Textos de Amor organizado pelo Museu Nacional da Imprensa.

O concurso foi lançado no ano do Porto-Capital Europeia da Cultura, 2001.

Seguem-se os textos principais escolhidos em cada ano, pelo júri que foi composto em geral pelo MAP, José Luís Pires Laranjeira e Luís Humberto Marcos, integrando, por vezes, Ana Sousa Dias e Maria da Glória Padrão.
  1. 2001
    1º Prémio
    GRAMÁTICA SENTIMENTAL DO CORAÇÃO

    Coração – Substantivo masculino, recorte à esquerda do meu peito, a alma picotada, de luto carregado ou amores de incenso. Não, órgão oco e musculoso não. Vazio de fé, por vezes. A fazer-se forte, às tantas. Mas num intenso pulsar, sempre. Ora sepultando existências na cova funda dos anos, ora tricotando a vida que acontece enquanto penso o que fazer dela.

    Miguel Bruno Martins Carvalho

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  2. 2002
    1º Prémio
    INICIAÇÃO

    do teu vestido curto de céu desabam estrelas e pedaços de lua cheia
    e as pernas alongam-se
    até os pés esculpidos em mármore português
    e o súbito mar tempera as areias que ainda escaldam

    António da Silva

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  3. 2003
    1º Prémio
    SOU PARTE DE TI

    Sou parte de ti.
    Sou do vento que corre na tua seara.
    Sou grão e poeira.
    Sou do cheiro a feno que se sente na tua paisagem.

    Margarida Maria Firmino Rocha Diniz

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  4. 2004
    1º Prémio
    CANTAR DO ATORMENTADO

    Não te mandei a carta em papel perfumado, com letras vertidas a tinta de caneta e caligrafia cuidada, escorreita, inclinada para a direita, em linhas paralelas, transpirando segurança, com rasuras denunciadoras de hesitação e nervosismo ansioso, mesmo que a um olhar pouco perspicaz. E não soprei a folha manuscrita, como de costume, após o afagar com os nós dos dedos, para lhe afastar hipotéticas impurezas, nem a dobrei cuidadosamente no formato do invólucro.

    Francisco Manuel Calado Gomes Abrunhosa

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  5. 2005
    1º Prémio
    A VIDA CONTINUA

    Amo-te, e alguém liga um motor barulhento;
    Amo-te, e um pássaro pousa num telhado;
    Amo-te, e um rapaz assobia na rua,
    E tudo continua, como se nada tivesse passado.

    Madalena Homem-Cardoso

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  6. 2006
    1º Prémio
    ANJA DA GUARDA

    Sou tua anja da guarda, tua freira,
    tua cabra, tua esquila.
    É de ti que gosto - à minha maneira.
    Meus sentimentos são de argila!

    Esperança Melo

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  7. 2007
    1º Prémio
    SI J’ETAIS RESTÉE

    Procuro-te. Busco-te. Abro ficheiros e pastas no computador, de fotos, de vídeos. Mas tu não estás em nenhum. Procuro por ti. Escrevo o teu nome no rectângulo de busca, no site do Google. Com o teu nome, existem muitas pessoas. Mas não és tu. Nunca és tu.
    Como se nunca tivesses existido. Como se só na minha cabeça fosses real. Que estranho é. Num momento da minha vida, só existias tu, para mim. Eu, estava sozinha. E procurava-te.

    Ana Rita da Silva Freitas Rocha

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  8. 2008
    1º Prémio
    MARGEM

    Dantes, quando pousavas
    Em qualquer beira, como pássaro
    Magnífico;

    E o teu corpo, os seus poros,
    Atraiam as ondas,
    Os uivos litorais dos bandos;

    Vítor Oliveira Jorge

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  9. 2009
    1º Prémio
    QUE O AMOR SEJA SECO…

    Que o amor seja seco,
    comedido, quase sem tacto,
    seja puro e não seja líquido,
    seja apenas o agora sem vislumbre de futuro.

    Raquel Lacerda

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