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Testemunhos

Contributo «in memoriam»

MANUEL ANTONIO PINA
19 octobre 2012
«Il te faudra franchir la mort pour que tu vives».
Frase do grande poeta francês Yves Bonnefoy, falecido a 1 de julho de 2016,
ou uma maneira de dizer que a sua poesia continuará a falar-nos.
 
Foi há quatro anos já

Foi há quatro anos já, o dia da Despedida e a abertura da rota que espero bem nos guiará até ao Manuel António... e aos entes que em nós são queridos.

Que melhor que aquilo que Manuel António foi, o que fez, o que ele revelou de ele-mesmo, na sua acção creadora e no seu viver de cada dia, para o recordar ?

Recordo assim hoje a sua memória com lembranças pessoais dessa memória que se vai por vezes transformando-se em contornos… e lembrar-me com algumas palavras , e com quais ? (que também morrem) – « …que fazer com tantas palavras / nàufrago de palavras… » escrevia o Manuel António em « Minha palavra, Minha lembrança » que não acabo de ler e de reler …lembrar o seu talento grande e o seu não menos sentido da fraternidade e de desinteresse – rejeitando egoismos
…lembrar-me da sua permanente busca da verdade necessária.

Recordo também, que ao mesmo tempo que Manuel António construia uma grande obra, sempre soube descer dela abaixo (ao contrário de Néhémie) com a modéstia do poeta que acredita nos poderes da universalidade da imaginação e na necessidade de compartilhar o mundo com os outros – com ironia e o vigor da sua inteligência.

Recordo que com ele o mundo aparecia menos primitivo.

Recordo, folheando, com escalas por vezes longas, outros dos seus poemas e da sua obra, e logo Manuel António me aparece com a sua maneira viva de pensar e de agir, sempre preocupado em não se deixar iludir pelo seu proprio pensar, em não dizer nada de um pouco sério sem imediatamente sourrir e troçar do que disse, logo a seguir…

Recordo de o ouvir dizer-me um dia « … tudo é possivel, mesmo Deus ! »

Recordo enfin que Manuel António morreu após algumas semanas de doença e que reposa hoje junto às suas matrizes materna e paterna, em Agramonte, mas que também ele reposa em tantas outras campas que não o deixarão afastar-se de nós, as melhores, que são os corações de todos aqueles/as que aproximaram a sua generosidade simples e sua humanidade .

O recordar do irmão
João Pina


Arnaldo
Saraiva

Eduardo
Lourenço

Da Rocha

Germano
Silva

Guilherme
Castro

Manuel
Pina (Pai)

Manuel
Resende

João
Pina (Irmão)

José
Carlos
Vasconcelos

Regina
Guimarães

Rosa
Maria
Martelo

Agostinho
Santos